Em homenagem a avózinha.

Fui contar que a vovó tinha morrido.
Se queriam ir ao velório, expliquei o que era, como o corpo estaria.
- Mas é só o corpo né mãe? Porque o espírito já ta no céu.
- O espírito que fala né mãe? Corpo sem espírito não fala...
- A vovó morreu e já nasceu de novo?

E depois o pai ressaltando que elas chegariam no velório e veriam o corpo. A irmã complementa:
- Nao só o corpo né pai, a cabeça também.

Mães más

Esse é um texto antigo do qual eu gosto muito.

Texto de Autor desconhecido.

Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

Eu os amei o suficiente para ter perguntado "onde vão, com quem vão e a que horas regressarão".

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que eles soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar pelas balas que tiraram da mercearia, ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé duas horas junto deles, enquanto limpavam o quarto: tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por eles, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que poderiam me odiar por isso - e em alguns momentos até me odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci... Porque no final eles venceram também!

E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer, quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má:

Sim... Nossa mãe era má! Era a mãe mais má do mundo...

As outras crianças comiam doces no café da manhã, e nós tínhamos de
comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e
sorvete no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
E ela obrigava-nos a jantar a mesa, bem diferente das outras mães,
que deixavam os filhos comerem vendo televisão.
Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora - tocava nosso
celular de madrugada.
Era quase uma prisão; mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que eles faziam.
Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorasse
só uma hora ou até menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho
infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos que achávamos cruéis.
Eu acho que ela dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar
fazer.
Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade, e apenas a
verdade.
E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler nossos
pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata.

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós
saíssemos. Tinham que subir, bater à porta para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de
esperar pelos 16 para chegar mais tarde, e aquela "chata" levantava para saber se a festa foi boa - só para ver como estávamos ao voltar.

Por causa de mãe, nós perdemos algumas experiências da adolescência.


Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubos, atos de
vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.


Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o
nosso melhor para sermos "Pais Maus", tal como a nossa mãe foi.

Eu acho que é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes "MÃES MÁS".

Amiga boa

Em referência ao texto publicado em Mães Más.

Com certeza educar é a parte mais difícil. Por mais que todo o cuidado físico tenha sua dificuldade, principalmente por que é novo e é com o nosso bebê, educar é muito difícil.

É difícil porque não temos uma "tabela" de comparação, não temos certeza de que nossos filhos entenderam nossa mensagem, não temos certeza se vão agir de acordo com nossa orientação quando estiverem longe de nós... não temos certeza de nada, nem teremos nunca. E nem os pediatras, nem os psicólogos, nem os professores tem todas as respostas...

Eu tenho procurado ser uma "Mãe má" , mas também e principalmente uma "Amiga boa" . Converso com elas tudo. Absolutamente tudo. Nunca menti sobre nada. No máximo, quando o assunto é complexo demais eu digo: "é um assunto demorado, podemos conversar depois ?" E depois conversamos mesmo.

Eu observei que para tudo o que acontece na nossa vida, elas estão atentas e observam tudo, e tem uma explicação para cada coisa. Mesmo que não falem, viram, analisaram e chegaram a uma idéia, às vezes até em conjunto. Então criamos o hábito de conversar sobre tudo. E já vejo a diferença disso refletindo no comportamento delas. Quando alguém comenta alguma coisa na escola, ou elas já sabem e sabem da maneira certa, ou então quando a "conversa" é estranha, elas vem pra mim e questionam: "mamãe, isso não pode ser assim, não é?" ou "Falaram isso, é certo?" Sabem aqueles comentários sem pé nem cabeça que as pessoas inventam para as crianças? Principalmente no que se refere à Educação Sexual.

Elas também sabem que tem que respeitar a criação dos outros e não falar nada com nenhuma criança que ela não saiba, porque quem tem que falar são os pais da criança. Elas sabem que tem gente que conversa, tem gente que não. Sabem que tanto a minha criação quanto a do pai delas foi diferente, muito mais fechada.

Mensagem principal: Quero ser uma “mãe má” no sentido de cuidar, proteger, mas preciso ser uma “amiga boa” para confiar e receber confiança.

Texto que publiquei pela primeira vez em 2003 no grupo Yahoo! mamae_bebe.

Certo ou Errado

Nunca fui muito de brincar. Sou do tipo "cuidar".

Confesso que me sentia um pouco mal porque não conseguia sentar e "brincar de bonecas" ou qualquer outra coisa com as meninas. Acho que não sobrava tempo. Entre trabalho, casa, e filhas gêmeas, o tempo é artigo raro mesmo! Mas claro que o principal é que não levo muito jeito pra isso! Eu invejava as mães que faziam isso com tanta tranqüilidade...

Mas sou uma pessoa de informática. É minha profissão e meu hobby!

Então desde cedo estimulei as meninas com jogos educativos no computador. Aos poucos elas foram tomando gosto pela coisa. E descobrimos uma forma de brincar juntas, nesse mundo virtual.

No fim, não fui a mãe brincalhona da infância delas, mas sou a "cyber-mãe" da adolescência, que entende de sites e jogos, que cria vídeos e outras coisas mais!

Mensagem principal: Não existe jeito certo ou errado de ser mãe. Cada uma é do seu jeito, e da melhor forma que pode ser! Única e especial!

Ser "bobo"

Reclamar quando um professor erra a nota pra menos é comum. Mas quando o erro é pra mais (ou seja o professor deu mais nota que o merecido) implica em ouvir dos colegas: "não seja boba, porque você está fazendo isso?"

Mas a resposta que eu ouvi foi: "Eu tenho que falar. Se ele descobre depois fica mal pra mim, e muitas vezes ele deixa a nota só porque fui honesta".

Imaginem o orgulho de mãe ao ouvir uma filha falar assim. 13 anos!

Mensagem principal: Construir uma fama de honesta é muito importante. Numa discussão entre colegas, sobre quem fez o quê, sua palavra terá peso. Os professores serão os primeiros a dizer que você não mente.

Por isso que eu digo e repito. Educar da muito trabalho. Mas vale cada gota de suor investido. Cada uma delas!!!

Ser do bem ou ser do mal

Criança com 5 anos, colocando uma cadeira atrás de uma pessoa para puxá-la quando a pessoa for se sentar. “Isso é coisa de criança.”

Primeiro: Imitar os comportamentos é uma atitude de aprendizado. Mas podemos fazer tudo? Cabe aos pais dizer: “isso é certo”, “isso é errado”. A criança nos testa com o objetivo de aprender. Precisamos fazer nosso papel de educar.

Segundo: existem ações claramente inocentes, e ações que são “do mal”. É difícil admitir que nossos bebês lindos e frágeis crescem e podem ter comportamentos não tão “politicamente corretos”.
Rotular as ações como “coisa de criança” é uma forma simples de omissão.
“Não vou fazer nada, quando crescer isso passa”
.

Passa. Pode se modificar, se transformar. Puxar uma cadeira pra alguém cair pode evoluir para puxar o tapete de um colega de empresa pra conseguir algum posto melhor. A triste “Lei de levar vantagem em tudo”.

Mensagem principal: Educar da trabalho. Omissão é muito mais fácil, mas não educa.

Mensagem adicional: Crianças com comportamentos “do mal” geralmente estão devolvendo o que recebem, o que vêem dentro de casa. E cada uma reage diferente. Mas um exemplo simples é o dos pais que brigam. Crescer no meio de brigas e discussões constantes não faz bem pra ninguém. Pode gerar depressão, baixa estima, com conseqüências mais sérias.

Ação: na dúvida, procure ajuda. Não levamos ao pediatra porque tem febre? Precisamos aprender a levar ao terapeuta se temos dúvidas quanto ao comportamento. Até para ouvir de alguém especializado se é realmente “coisa de criança”. Ou não. Mas faça na hora. Quando o problema surge, quando é fácil de ser resolvido.

Não conta pra mãe

Menina (6 anos) fala com outra mais velha: “Não conta pra sua mãe, mas ela (5 anos) passou batom na boca e todo mundo ficou lambendo.”

Primeiro, não tem exceção, crianças sem supervisão aprontam. Pode ser algo simples, sem grandes conseqüências, pode não ser. O risco existe, cabe aos pais decidir se e quando corrê-lo.

Segundo, as crianças têm senso de certo e errado desde cedo. O “não contar pra sua mãe” mostra claramente que sabe que a situação não seria aprovada, e ainda pior, que já sabe, nessa idade, que não precisa contar tudo para os pais. Qual a causa disso tudo? Não se sente segura pra conversar qualquer coisa.

Mensagem principal: Incentivar os filhos a conversar sobre tudo.
“Como foi seu dia? O que foi bom? Porque? O que foi ruim? Porque?”


Mensagem adicional: Ouvir sem brigar.
Mesmo quando a criança conta algo sério é preciso ter calma. Ela está ali, contando, se abrindo. Para que faça disso um hábito precisa se sentir segura. Já aconteceu, então o que podemos fazer é ensinar, mostrar quando for errado, educar. Mas não castigar o fato dela contar! Essa é a grande diferença!

Quando uma criança faz algo errado na nossa frente e castigamos, a punição é sobre o ato em si. Ponto. Sem problemas.

Mas quando ela está contando o que já aconteceu, se castigarmos ai, estaremos punindo o ato de contar. Resultado, nunca mais saberemos de nada.

Precisamos ouvir. Depois educar: fazer a criança refletir sobre o que aconteceu. Entender se foi certo ou não, pensar nas conseqüências. Aprender que não pode fazer mais, se for o caso. Ou fazer de forma diferente. Mas principalmente manter o canal aberto para que ela conte sempre.

Afinal, o objetivo dos pais é educar e não castigar, certo???

Construir um relacionamento baseado em confiança é trabalho árduo diário.
Para destruí-lo só precisamos de poucas ações.